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ago/10

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Estreia o canal Buzinistico no YouTube

Até que enfim, depois de muito expremer, remexer e rebolar, vamos estrear bonito nosso canal de vídeos. Vídeos produzidos toscamente com muito amor e carinho pra vocês se deliciarem com, barulhos, guitarras, distorções, sambas, rumbas, marimbas ou qualquer outra coisa que a gente queira mostrar em movimento.

Os primeiros vídeos são do Som feito na Silsi no último final de semana.


Assistam, divulguem e vamos continuar produzindo!

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ago/10

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Rock de Final de semana

Silsi Rock Tattoo Bar | São Miguel | 14.08.2010

O sábado começou cedo, juntando os equipamentos para levar para a ZL, iriamos dividir o palco com nossos camaradas do Krias de Kafka, que acabaram de lançar o EP “Sessões Desenganadas” que pode ser baixado aqui. Além dos Krias, tivemos a chance de convidar o Conte-me uma mentira de Mogi das Cruzes, que aceitou o convite na hora e também a Glassbox que no momento vive um periodo negro com os bateristas (ô raça essa viu kkkk).

Chegamos na Silsi por volta das 17h00 e o Glassbox já estava lá, o Mike nos recebeu com seu imenso sorriso e já pensando em como as coisas iriam funcionar. Mas estavamos todos entre amigos e assim seria o clima daquele sábado frio de Agosto.

Algumas cervejas depois, chegam os caras de Mogi. Para eles, tudo estava bacana, os fliperamas, a casa, a cerveja, os destilados e tudo com um ar de deja vú. Por mais de uma vez, ouvi eles comentarem “cara, a gente já tocou aqui” mas acho era mais uma sensação de tranquilidade.

Otto, Mateus e Fukuda em foto histórica kkkkk

O Krias de Kafka chegou logo em seguida, completando as bandas que iriam tocar naquela noite. Tudo montado e escolhida a ordem das bandas, só nos restava esperar a hora de começar a barulheira prometida.

Cervejas, conversas e ajustes finais e de repente entra o André do Krias dizendo que tinham atropelado uma mulher em frente ao pico. Todos correm pra fora, eu vejo um corpo estirado no chão, se remexendo e gemendo. Os caras me disseram que uma kombi entrou de uma vez, em alta velocidade acertando a mulher e uma criança, eu nem quis chegar muito perto. Passado alguns minutos a situação parece melhorar, a mulher já sentada e a criança mais calma, esperam o resgate chegar em São Miguel. Pouco mais de 15 minutos (um absurdo!) chega a ambulância que encaminha as vítimas e tudo fica meio esquesito e tenso com o sangue escorrido na calçada do vizinho, mas o lance tem que continuar…

O Público foi tímido, não sei se foi o frio ou se a divulgação não foi das mais efetivas. Ou ainda, se as nossas bandas são tão ruins assim. Mas isso não importava muito, pelo menos não para mim. A presença dos nossos amigos naquele dia me pareceu muito mais válida pelo momento. Olha as figuras que estavam lá e talvez vocês entendam o meu ponto de vista. O querido e Onipresente Jorge! com seu famoso cervejamóvel, Senhorita Cris Tavelin que nem precisa de apresentações e Renato (Vincebuz putaqueupariuduasbaterias e agora também com o Visão V) o Beavis claro e sem contar as nossas outras companhias certeiras.

O Glassbox entrou precisamente as 20h07min e fez barulhos, distorções, melodias, delays, baterias quebradas e linhas de baixos hipnóticas tudo isso com muita classe e estilo. O Mike e a Ro fazem uma dupla muito competente com as cordas. Tomara que eles achem o batera certo para continuar.

Glassbox

Depois era a vez da minha banda, o Espasmos do Braço Mecânico. Pode parecer meio suspeito, mas essa foi a melhor vez que tocamos na Silsi, estavamos muito a vontade e os Krias de Kafka representaram. Praticamente tocaram junto com a gente, ficaram bem na frente do palco vibrando, gritando e tomando umas biritas ao nosso som podrera de sempre. Inesquecível.

Conte-me uma mentira. Essa é uma das bandas mais legais de Mogi, lançaram a pouco tempo o disco muito bem gravado e produzido intitulado “A viagem do Pássaro” com ajuda do Selo sem Sê-lo. O Show foi preciso e curto, mas com uma energia de quem queria mostrar muito. Com um ar psicodélico, até música que não estava no repertório eles tocaram, mas ainda assim fiquei com uma ansiedade por ver mais. Eles diziam que estavam ficando velhos e o repertório tinha que ser mais curto (pô caras, o que é isso kkk).

Por último e com um ligeiro atraso causado pela espera do baixista Hector, que estava honrando o café com leite de todo o dia, sobe o embriagado Krias de Kafka. Com a vontade de tocar exalando pelos póros eles começam e fazem daquele final de Sábado um momento muito especial. André e Lucas a dupla de guitarristas é uma das melhores que eu já vi! Lembro do Rafael guitarrista da minha banda me dizendo o quanto gostava de ver essas guitarras. Fora o Mateus com sua presença de palco. Que é do tipo cantar com as entranhas, sabe?

Com poesia e etanol o sábado definhou a caminho de casa e o que restou foi uma sensação boa de rever grandes amigos e saber que ainda tem muito mais por aí.

vrum vrumn

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jul/10

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Gambeta I a postos

Gambeta I

Segundo o Aurélio:

Gambeta

s.f. Certo movimento de corpo e pernas, para um e outro lado, para se enganar quem vai perseguindo. / Bras. (S) Drible, finta. / Fig. Procedimento manhoso. / Adj. Cheio de trejeitos.

Portanto, em homenagem à Semana Internacional do Rock -o primeiro dos gêneros que fez com que as pessoas gambeteassem e chacoalhassem- o Buzina Elétrica realizará no dia 17 de Julho de 2010 a primeira edição do Gambeta, com a cobertura dos nossos parceiros do Jardim Elétrico.

A partir do meio dia, no Espaço Verde Chico Mendes, participaremos como um dos representantes do Grande ABC da manifestação mundial que homenageia o Rock and Roll.

Venham conferir! A entrada é franca e a localização está logo abaixo:

Mais informações sobre o parque aqui.

Mapa:

clique para ampliar


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jul/10

1

Gambeta I

Nobríssimos parceiros e amigos do Buzina Elétrica!

Despertamos do sono profundo, ainda que não completamente. Mas já é o bastante para levantar uma nova festa que será realizada no dia 17 de julho no Espaço Verde Chico Mendes, em São Caetano do Sul. O Gambeta, a mais nova cria do Buzina, levará Darmah, Nokaos, Espasmos do Braço Mecânico, Bufalo, Buzzfactory e Requiem para uma singela homenagem ao rock and roll em meio à comemoração da sua Semana Internacional.

O Fakir e a Patrícia, nossos amigos do Jardim Elétrico (Londrina – PR), estão colaborando com o nosso departamento jornalístico e dentro de poucos dias soltarão um programa bacana com todas as bandas participantes. Fiquem atentos!

Voltaremos em breve com mais informações, surpresas e buzinadas.

Hasta!

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Texto escrito por Ivan do Zine Canibal Vegetariano e da banda Mão de Vaca

Sol, chuva, frio, calor, suor, rock’n'roll…

A manhã do último dia 8, data do 2º Viva a Independência, começou com sol, mas, durante a manhã, o dia ficou nublado e uma forte chuva caiu sobre o bairro Dr. Pimenta (Cecap), em Itatiba, onde está situado o Bar do Celso, local onde as 4 bandas, Erga, Keps, Olho de Cadáver e Espasmos do Braço Mecânico se apresentariam. Chuva é boa e necessária, mas em dia de evento pode atrapalhar… mas para a alegria da galera rock, isso não aconteceu.

Galera presente ao festival aguardando o início das apresentações

Durante a manhã, houve a correria básica para o acerto dos últimos detalhes e o tradicional vai e vem atrás de equipamentos. Às 14h30, a galera já começava a tomar conta do local, equipamentos chegando e sendo postos em seus lugares. O evento estava previsto para as 15h, mas devido há pequenos contratempos, houve atraso em uma hora. Às 16h a banda itatibense Erga começa a emitir os primeiros sons e a galera junta-se próxima a banda para o início da “maratona” rock.
Em 45 minutos os itatibenses apresentaram seu repertório de músicas próprias e um rock calcado no chamado alternativo. A Erga formada por Leandro (guitarra e vocal), André (baixo) e Rafael (bateria), empolgou a galera presente com seus riffs de guitarra limpíssimos, com poucos efeitos e muita competência, mostrando que o público está cada vez mais interessado em conhecer novas bandas, principalmente as que apresentam material próprio. O sucesso da banda foi tanto durante o show, que assim que ele foi encerrado, um grande número de pessoas cercou os integrantes para poder adquirir o single que estava sendo vendido, esgotando rapidamente suas cópias.

A abertura do evento ficou por conta dos itatibenses da Erga

Assim que encerrou a apresentação da Erga, a segunda banda, Keps, que vinha de Guarulhos, havia acabo de chegar ao local da apresentação. Eles não conseguiram chegar antes devido ao intenso trânsito na Rodovia Fernão Dias. Sem perder tempo, Joey (guitarra e vocal), Klebinho (baixo) e Will (bateria), rapidamente montaram seus equipamentos e dispararam as canções dos dois EPs lançados pelo trio, além de outras que devem fazer parte do álbum que estão preparando. Com um som com forte influência de grunge, rapidamente a galera começou a agitar ao som da Keps, que deixou muita gente com sorriso de satisfação no rosto. A banda, sem dúvida, fez uma grande apresentação. Ao final do show, eles também foram cercados por parte do público que adquiriu CDs e camisetas. Os caras não puderam conferir as outras bandas, pois eles se apresentariam em Bauru no final da noite. Mas segundo declarações do trio, eles pretendem voltar à Itatiba, pois curtiram a recepção que obtiveram no município.

A banda veio de Guarulhos. Assim que encerrou seu show, os caras ‘correram’ para Bauru

Com o público ficando cada vez mais quente, era chegada a hora dos punks itatibenses da Olho de Cadáver. Formada por Nato (vocal), Valmir (guitarra e backing vocal), Denis (baixo) e “Fedo” (bateria), os caras não perderam tempo e mandaram ver em suas músicas de protesto, como todo bom e velho punk é, e fez com que o público presente abrisse, ao menos tentou várias vezes, abrir rodas de pogo. Mesmo assim, a diversão foi garantida e a banda mostrou que está no caminho certo, com muita humildade e boas músicas, eles tem tudo para irem muito além.

A Olho de Cadáver apresentado seu punk-rock ao público

A noite já havia chegado para a festa também, e pontualmente às 19h, a banda Espasmos do Braço Mecânico, oriunda de São Bernardo do Campo, começou sua apresentação. Com influências diversas, o trio formado por Fukuda (baixo e vocal), Rafael (guitarra e vocal) e Rodrigo (bateria), mandou ver em suas canções próprias, que podem ser conferidas no primeiro EP lançado por eles, e fez com que a galera se juntasse próximo a eles para conferirem uma grande apresentação de rock. E quem estava no bar aproveitou para dar a última agitada da noite, pois às 20h o som teria que ser encerrado, para que a vizinhança não ficasse incomodada e acionasse a PM. Ao final da apresentação, Fukuda, distribui CDs e adesivos para galera.

A banda Espasmos do Braço Mecânico, de São Bernardo do Campo, encerrou a 2ª edição do festival

E assim foi encerrada a 2ª edição do Viva a Independência. Mais uma vez houve respeito em relação aos horários, entre o público, que com certeza divertiu-se bastante. E vale destacar a cooperação entre as bandas, pois a Erga disponibilizou caixa para guitarra, microfone, ampli para baixo e algumas ferragens para bateria. A Olho de Cadáver disponibizou pedestais, caixa de voz e microfone. Duas bandas que se apresentaram na 1ª edição, Mão de Vaca e Bebers Operários disponibilizaram bateria e alguns acessórios e a Barco Bêbado cedeu microfone, pedestal e caixa de voz, mostrando que o pessoal está a fim que eventos ligados ao rock independente aconteçam com mais frequência em Itatiba e que seja possível realizar o intercâmbio com bandas de outras cidades para o fomento de uma possível cena.

Aproveitando, temos que agradecer a iniciativa do Celso em abrir esse espaço tão importante para que jovens, adultos e crianças, que amam o rock, consigam passar horas agradáveis na companhia de amigos ouvindo novas bandas. Os agradecimentos se estendem a Fábio Maçola, guitarra e vocal da banda Rock’n'Watts, que auxiliou em parte do evento na troca de palco das bandas, ao Matheus Machado, poeta e vocalista da Barco Bêbado, por ser co-responsável do evento e toda a correria para que fosse realizada e 2ª edição do festival. A David Bueno pelo cartaz e ajuda para carregar os equipamentos, além de todo o trabalho de divulgação. A Lucas Selvati, que fotografou todos os shows, a toda galera que esteve presente e que contribuiu para a divulgação do rock, além das bandas, que fizeram ótimas apresentações e no caso da Olho de Cadáver e Erga que cederam equipamentos. Temos também que registrar um agradecimento especial a Keps e a Espasmos que vieram da Grande São Paulo para tocar rock no interior.

Foi muito bom pra gente conhecer novas pessoas com iniciativas verdadeiras, que acreditam e tentam agregar cada vez mais ao rock indenpendente. Com certeza iremos colaborar e organizar mais eventos com o pessoal de lá.
Sem falar na resposta das pessoas que estavam lá, todas felizes por tomar uma cerveja e ouvir um barulho no ouvido, elogios não faltaram pra todos que estavam lá no denominado Bar do Celso.

O Programa a Hora do Canibal 68 teve alguns de seus minutos dedicados ao evento, com entrevistas, músicas e comentários dos organizadores, discussão sobre “a cena” e músicas bacanas. Vale com certeza a ouvida.

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Sábado dia 24.04.10 acontecerá o Lumiere Festival em São Caetano, no já conhecido Cidadão do Mundo. O Festival intinerante é uma das ações dos nossos amigos de Mogi das Cruzes / Pinda / Taubaté do Bequadro Mostarda que em apenas alguns meses de atividade já emplacou várias ações muito bacanas pela Região da Grande São Paulo e Interior.

O Lumiere em São Caetano vai contar com a presença de 5 Bandas + Exposição de Fotos de 3 artistas diferentes

Glassbox (São Paulo)
Alternativo/Rock
http://www.myspace.com/glassboxnoise

Jane Dope (Mogi das Cruzes)
Rock /Alternativa /Indie
http://www.myspace.com/janeddope

Narcotic Love (São Paulo)
Indie / Eletro / Rock
http://www.myspace.com/thenarcoticlove

UpBrothers (São Paulo)
Rock / Alternativa / Pop
http://www.myspace.com/upbrothers

Seamus (Taubaté/Pinda)
Rock
http://www.myspace.com/sseamus

+ exposição de fotos

Stefano Martins – http://www.flickr.com/photos/stefanomartins

Oswaldo KBÇA Corneti – http://www.flickr.com/photos/iwannabebobgruen

Carol Ribeiro – http://www.flickr.com/photos/carolribeiro

onde?

Lumiere Festival – Cidadão do Mundo
Rua Rio Grande do Sul, 73 – Centro – São Caetano do Sul – SP
24/04/10 – a partir das 20:00h – R$ 8, imperdível!

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abr/10

7

Brave New World

São Mateus pra vida: A festa mais legal de março.
Por Daniel Perez

O outono trouxe uma chuva inesperada no meio do caminho. Num domingo de clássico futebolístico, algumas nuvens carregadas tentaram estragar as várias festas que vinham acontecendo na cidade. Uma delas era no Formigueiro Rock Bar, onde rumamos para realizar a segunda patada sonora do Buzina Elétrica.

A instabilidade do tempo também habitava a cabeça de muitos ali. Entre a espera no inóspito ponto de ônibus na Via Anchieta pela carona que me levaria a São Mateus, zona leste paulistana, e a volta para casa, mais de 10 horas depois, cefaléia e dor de ouvido me faziam companhia desde o sábado.

Os Cães

No caminho, conversas sobre as direções a serem tomadas predominaram, e apenas um comentário a respeito do meu silêncio de propriedades curativas, replicada com a minha característica estranheza verbal, foram interrompidas por um cachorro sendo atropelado a menos de 2 quarteirões do Formigueiro. No calor do debate logístico, uma freada, um Uno branco ziguezagueando e um cachorro ganindo e mancando roubaram nossa atenção. Enquanto o bicho desviava de outros carros enfurecidos em pleno domingo, alguns palavrões assustados escaparam da boca de quase todos no carro. “Uma situação tensa”, pensei. “Mais uma”. Atravessamos o cruzamento investigando a situação canina. “Já está tudo bem”, foi a sentença final que terminou por selar a conversa sobre o acidente.

Chegamos ao Formigueiro perto das 17h. O Krias havia chegado pontualmente às 16h. “16h07, mais precisamente”, pontuou Otto, o baterista da banda. “Pediram pra chegar às quatro, nós chegamos!”. De fato, eles já estavam na porta, tomando cerveja antes de todos, como recompensa pela pontualidade.

Entrei com as mãos no bolso, humilde e solitário explorador de bares, botequins e lugares mal iluminados. Vasculhando com o olhar, uma bandeira do estado de São Paulo perto do teto, presa a duas vigas quase ao centro, era uma das tantas decorações imponentes. Fliperamas ocupados por um grande e estranho bigodudo que se mantinha constantemente suado e gastando seu dinheiro com todos os jogos de luta ali existentes, mesas de bilhar, discos de vinil e cds colados lado a lado na parede. O banheiro unissex e sua charmosa descarga de cordinha receberam muitas visitas naquele domingo. Um formigueiro, de fato, tanto pelas cores quanto pelo pequeno simulacro de ecossistema.

Fiquei assistindo ao jogo por um tempo, mas não era hora de se deixar levar pelo futebol. Abandonei o balcão, deixando espaço para mais corinthianos em estado de atenção. Fiquei do lado de fora, conversando, tomando alguns copos de cerveja e rindo da tentativa de um cão conseguir cruzar com uma fêmea. Tudo tendia a se parecer, cada vez mais, com um dia de cão.

Corinthians 4×3 São Paulo

Não resistindo aos rojões e gritos que ecoavam na vizinhança, entrei rápido pra ver o placar. Segundo gol do Corinthians no jogo e vitória parcial de 2×0. Um corinthiano solitário assistia o jogo na TV, que fazia sombra dos jogadores por causa da interferência no sinal. Peguei a segunda garrafa de cerveja do dia -custava módicos 3 reais- e prometi a mim mesmo que não iria me arrebentar no domingo. “Não me venha com suas perguntas ébrias”, ouvi do Fukuda. Seguida duma risada, disse que as perguntas não seriam necessárias, e assim se seguiu.

Fora o futebol, a garoa constante, os cães tarados e muita conversa eram as atrações prévias aos shows do lado de fora do Formigueiro, que recebia visitas cíclicas de anônimos que o optavam à igreja Jesus Vem!, onde um pastor solitário chamava a atenção dos fiéis e transeuntes da rua Dr. Paulo de Queiroz batucando um pandeiro. De frente para o outro, um lado era infernal, o outro era mais infernal ainda. Na igreja, crentes bem vestidos munidos de bíblias. Do outro, desleixados e seus infinitos copos de cerveja, no aguardo do barulho vindouro.

O Corinthians fez o quarto gol, aos 45º do segundo tempo. Alegria, minha gente! Não é todo dia que se vence no último minuto . Os rojões pipocaram, espantando definitivamente os cães promíscuos da frente do bar e abrindo caminho para a noite, que já tinha mais público. As pessoas foram aparecendo, entrando e ocupando os cantos, as mesas de bilhar, os fliperamas e a pista.

Pouco antes dos shows começarem, metade do letreiro acima do palco apagou: Lia-se a palavra FORMIG. Pela metade também ficou a bateria, reeditando a maldição dos equipamentos -já muito conhecida. Uma força-tarefa se incumbiu de montar o instrumento às pressas, logo após o jogo.

Isso gerou o costumeiro atraso, mas dessa vez ele agiu a favor do evento. O Espasmos queria tocar antes de perder o raciocínio para o álcool, o Krias ainda estava desfalcado de seu baixista, o Monaural do baterista e o pessoal do Mão de Vaca ainda estava no caminho para São Paulo. Com tudo isso, o atraso foi celebrado, o Espasmos tomou a frente e abriu oficialmente a noite.

Domingo Legal

Um cidadão desconhecido se apresentou para agitar por toda a plateia. Dançava, pulava, cantava. O anônimo e sua jaqueta de couro roubaram a cena, ganhando agradecimentos dos integrantes da banda. Ao final da apresentação, uma conversa com ele foi inevitável.

Tinha alguma coisa de incompreensível no que dizia, até eu perceber que ele só cantava. Depois de fazer uma seresta pra Maiara, a fotógrafa da noite, cantou Roberto Carlos, Raul Seixas e se apressou em ir embora. “Preciso trabalhar amanhã cedo”, ele dizia com o olhar perdido. “São oito e meia! Ainda tem outras 3 bandas! Fica aí!”, insisti. “Não, não… Preciso trabalhar amanhã cedo, preciso ir”. E o grande agitador da noite pegou os brindes que lhe foram oferecidos, distribuiu beijos, abraços e obrigados, pegou sua bicicleta e partiu, deixando saudades e um número reduzido de malucos na plateia.

Importamos o Mão de Vaca diretamente de Itatiba, terra do Canibal Vegetariano. Foi a segunda banda a subir ao palco. Os novos integrantes da festa me lembraram os bons tempos onde o grindcore tinha muito espaço na minha vida. Foi, de longe, a banda de maior repertório de toda a noite e a mais comentada na semana seguinte. Perdi a conta do número de músicas executadas, mas era irrelevante ser metódico àquela altura.

O domingo estava gordo, recheado. “Tranquilo no mamilo?” Palavra de ordem do Krias, que abriu sua boa apresentação. Todos em seus lugares (fora do pequeno palco), a face quase estrábica do rei Roberto estampada na camiseta do Mateus parecia ter trazido ainda mais fôlego pra banda, que na quarta-feira daquela semana gravaria no Teatro Municipal de Mauá. Coisa fina, coisa fina. O aquecimento para quarta foi proveitoso.

Havia encontrado el capo Bigliazzi, do Sentimento Carpete, devidamente fardado com a camisa do time perdedor daquele domingo. “Estamos tocando dois sons do Los Saicos”, e ouvir isso foi tão emocionante que quase escorreu uma lágrima dos meus olhos. Fui reencontrar o Capo Bigliazzi, camarada de bom coração, torcedor do Racing e amigo-irmão do Krias, longe das salas da universidade e de nossas casas. São Mateus foi mágico, repito. Que domingo, minha gente.

Quando o Monaural começou a tocar, a Jesus Vem! já havia fechado suas portas. Mais liberdade para o trio, que seguiu seu costumeiro figurino. Alto, muito alto, para preencher o ouvido e voltar pra encarar a segunda-feira feliz, com o ouvido chiando. Antes disso, Ayuso, o real organizador daquela que se tornou a melhor noite do Buzina, andava pelo Formigueiro com um ar preocupado. Acabei dizendo que não acreditava que um domingo de clássico, chuvoso e num local distante pra maioria pudesse vingar, e quebrei a cara. Sorte de todos, e deixo aqui um agradecimento ao frontman do Monaural e seu rock, o mais visceral destes trópicos.

Só termina quando acaba

O saldo da noite foi positivo. Bastante positivo, diria. Na volta pra casa, uma conversa rápida com o Christian, futuro diretor (ou eu me enganei?) de um documentário que certamente será comentado nestas paragens. Despedida de fãs, amigos e perdidos. Superlotações de pequenos automóveis, instrumentos e convidados enfurnados no porta-malas, dinheiro já separado para a parada estratégica no restaurante barato, e o domingo teve seu fim decretado. Sem tristezas por semanas, seria injusto com tudo o que aconteceu ali. O Formigueiro foi mágico. E foi tão mágico que minha dor de ouvido ficou anestesiada, a dor de cabeça sumiu, ninguém se perdeu de tanto beber e o cachorro atropelado à tarde saiu com tudo no lugar pouco após do acidente. Todos nós passamos bem.

Créditos:
Fotos de Maiara Santana

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mar/10

27

Intercâmbio na ZL

Ae, esse Domingo tem mais uma batalha sangrenta só que agora na Zona Leste de São Paulo, mais precisamente em São Mateus. No Formigueiro Rock Bar, com direito a sinuca, cerveja, roqueirisses e tudo mais. Vamos comparecer que a parada nesta edição é grátis.

A ilustra do Flyer é de http://sidartasoleil.deviantart.com/
INTERCÂMBIO no Formigueiro Rock Bar – 28.03.10 – 17h – GRÁTIS

Espasmos do Braço Mecânico – http://www.myspace.com/espasmosdobracomecanico
Krias de Kafka – http://www.myspace.com/kriasdekafka
Mão de Vaca (Itatiba) – http://www.myspace.com/maodevacarock
Monaural – http://www.myspace.com/monaural

Rua Dr Paulo de Queirós, 990 – São Mateus – São Paulo

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mar/10

12

Cruzando as fronteiras

Antes do esperado teremos outra edição do Intercâmbio, dessa vez o evento será feito do outro lado da fronteira. Nesta edição o line-up conta com a banda Mão de Vaca de Itatiba, interior de SP e a entrada será GRÁTIS.

INTERCÂMBIO no Formigueiro Rock Bar – 28.03.10 – 17h – GRÁTIS
Rua Dr Paulo de Queirós, 990 – São Mateus – São Paulo

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Por Daniel Perez

A noite da primeira edição do Intercâmbio, a festa do Coletivo Buzina Elétrica, teve uma série de situações que pareciam querer transformar a tal Buzina Elétrica em Sanfona Valvulada. A primeira impressão não foi das melhores: Houve atraso no início da festa, as luzes do palco ficaram acesas o tempo inteiro, não havia uma moça simpática e bonita na recepção, o P.A. deu um susto em todos… O tempo e o álcool minaram a angústia inicial, e assim sendo, a festa rolou. Até porque, de qualquer maneira, iria rolar.

Talvez por isso o Intercâmbio tenha assustado algumas pessoas. Nenhum fantasma apareceu, graças à luz constantemente acesa do palco, curiosa dor de cabeça para o Monaural na apresentação do SESC Vila Mariana, poucos dias antes. “Um repeteco de desgraças e novos fantasmas” pensei pela banda, não por mim. No entanto são raros os fantasmas que gostam de se exibir fora das trevas, e na noite de sábado isso ficou ainda mais difícil graças à sinergia musical que ali foi feita.

Quatro bandas e uma plateia destemida foram os grandes protagonistas da noite de 6 de março, que teve tempo feio, público modesto, gambiarras diversas mas, principal e essencialmente, boa música.

No dia anterior, Monaural e Krias de Kafka haviam se apresentado no Central Rock Bar, em Santo André. A ressaca aparentemente faltou ao religioso compromisso do dia seguinte e em nada comprometeu as apresentações no Cidadão do Mundo, marcadas por grandes momentos etílicos e não etílicos dos grupos presentes, como o momento em que o estabelecimento nos deixou na mão quando a cerveja acabou -cedo. Quando isso aconteceu acabei me servindo de um vinho tão vagabundo que o Marcelo nem fez questão de me cobrar.

Quase às 23h, o Monaural voltou dos bares da rua, afinou seus instrumentos, perguntou da luz, recebeu numa resposta vazia algo como “a luz ta zuada, vai ficar assim” e desencanou de insistir em seguida. Foi ao som e por ali mostrou uma apresentação que há tempos eu não via. Sentia um grande chiado, uma pulsação estridente correr em meus ouvidos e em nada me incomodava, pelo contrário. O baixo volume dos microfones acabou não me atrapalhando tanto quanto imaginei, considerando que nos finalmentes eu já ouvia tudo muito bem e não continha um prazer óbvio de estar ali daquele jeito. A nova formação da banda fez uma das suas primeiras -ótimas- apresentações de 2010, e nesta fomos brindados com um gran finale digna duma banda que ostenta a bandeira grunge. Sorte a nossa.


Monaural

Com os sentidos levemente alterados, assisti ao Espasmos do Braço Mecânico, a segunda banda da noite e a que eu melhor conhecia até então. Em meio aos acertos do palco, antes do início definitivo da apresentação, retomei a epopeica jornada etílica, movido por uma necessidade infantil de encobrir a timidez. A fotógrafa da noite, Bianca (improvisada naquela função, naquele dia) tentava capturar todos os momentos interessantes e eu corria de um lado para o outro procurando o que fazer, feito pulga sem cão. Pensava que ébrio eu concatenaria melhor as ideias (!!!) e comprar outra lata me parecia uma tarefa simples demais para uma noite daquelas.

Precisava de algo maior, e enquanto pensava esse monte de besteira soou o primeiro timbre da música do trio, interrompendo meus devaneios absurdos. Assisti ao show portando a câmera fotográfica, procurando alguma maneira de operar um milagre num palco sem luz frontal.


Espasmos do Braço Mecânico

Estava na área superior entrevistando o trio do Monaural quando o Accidents, de Mogi, começou. Desci depois da primeira música, ansioso pra ouvir a banda que mais me chamou a atenção no dia. Rock limpo, coisa fina e rara de se ouvir em muitos lugares. Ainda na labuta das fotos, fiquei colado à caixa de som com o ouvido atento, agora calejado e sempre propício a maiores desgastes.

Àquela altura minha alma já passara a observar o movimento e as pessoas duma maneira onírica e em meio à música do Accidents minha viagem ganhou mais força. Obrigado! Fiquei mais animado, com espírito festeiro. No palco, o power trio se mostrou impecável (assim como todas as bandas, façamos justiça), e ressalto a notória e muito bem-vinda sinergia entre os irmãos Felipe e Juliana, que juntos com o competentíssimo Raphael estão de disco novo, o bacana Sem Ofensas (confira no myspace). Lá fora, no corredor que liga a rua Rio Grande do Sul aos confins de São Caetano, conversei com a banda em meio ao quase silêncio (o Krias estava para começar e fazia seus acertos sonoros) e aos espectros de dois estranhos cidadãos que ficaram naquele espaço conversando e bebendo, compartilhando em meio à garoa da noite de sábado uma fiel e confidente garrafa de vodka. Seguiu-se uma boa conversa com as boas pessoas de Mogi. Com o material coletado, voltei ao Cidadão para conferir a banda que fecharia a noite.


Accidents

O Krias de Kafka estava de volta em um palco do ABC em menos de 24 horas. Recordar é viver: No dia anterior eles também estavam no Central com o Monaural. Abraçando a causa do Buzina, o quinteto se apresentou para quem nunca havia conferido nada dos seus trampos ao vivo, como eu, a Bianca e o Felipe, meus intrépidos companheiros daquela noite. Da garota, conquistaram seu coração e preferência, e dele, elogios respectivos ao som, que comparado ao dia anterior estava bem melhor.

Sei que o Krias, em suas reuniões perto da escada do Cidadão, foram as pessoas que mais sorriram ali, o que ajudou a ganhar a atenção da fotógrafa, que não capturou nenhum sorriso aberto demais de ninguém, e não sei dizer a razão pra isso ter acontecido. A certeza é que todos sorriram mais que o esperado na inacreditável entrevista na qual eles foram incumbidos de fornecer à massiva e inefável mídia do Coletivo, junto com o trio do Espasmos. O que precisou ser discutido para a elocução geral da sociedade foi muito bem pontuado: Vulgaridades, Franz Kafka, cena, os porquês de porquês, a vida, o mundo e tudo mais. Respostas minimalistas, kafkianas, franquezas e feridas expostas. Terminou a primeira festa do Buzina Elétrica, que não virou abóbora no seu debute.


Krias de Kafka

Finda a bagunça, equipamentos recolhidos e alguns esquecidos, todos voltaram sãos e salvos de mais uma noite de boa música. A primeira de tantas, assim esperamos. O resultado será colhido a longo prazo e a expectativa é grande já a curto prazo. Foi grande também minha fome, que encontrou espaço para um rápido lanche da madrugada antes de me render a uma cama que ficou pequena porque foi compartilhada, e depois de desperto e sóbrio, diminuiu ainda mais seu tamanho, pois passei a me incomodar com alguns pés intrusos e a falta de espaço que antes não me incomodara tanto. Mas esse é um problema irrelevante. Nunca uma ressaca me caiu tão bem.

OBS:

Como bem disse o Ayuso do Monaural, as pessoas que viveram os anos 80 e 90 parcial ou completamente, que gravavam música em fitas k7 e videoclipes no videocassete, estão sentindo uma necessidade de se encontrar, de trocar ideias, de fazer girar um novo circuito musical, e isso já vem acontecendo, mesmo que timidamente.

Toda essa movimentação está alheia à má vontade (e ganância) das gravadoras e produtoras que não parecem fazer questão de colocar no mercado música honesta, feita por músicos sinceros. Estes reencontros fortuitos têm gerado estes pequenos movimentos que, juntos, direcionam suas ações para uma só vontade e crescem por si só.

Que continue o trabalho!

*Coincidência ou não, Rogério Skylab disse algo parecido numa entrevista realizada em Londrina, para a revista virtual A Rotativa. Veja aqui

Hasta!

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Créditos

Fotos por Bianca Pinto e Daniel Perez

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