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São Mateus pra vida: A festa mais legal de março.
Por Daniel Perez
O outono trouxe uma chuva inesperada no meio do caminho. Num domingo de clássico futebolístico, algumas nuvens carregadas tentaram estragar as várias festas que vinham acontecendo na cidade. Uma delas era no Formigueiro Rock Bar, onde rumamos para realizar a segunda patada sonora do Buzina Elétrica.
A instabilidade do tempo também habitava a cabeça de muitos ali. Entre a espera no inóspito ponto de ônibus na Via Anchieta pela carona que me levaria a São Mateus, zona leste paulistana, e a volta para casa, mais de 10 horas depois, cefaléia e dor de ouvido me faziam companhia desde o sábado.
Os Cães
No caminho, conversas sobre as direções a serem tomadas predominaram, e apenas um comentário a respeito do meu silêncio de propriedades curativas, replicada com a minha característica estranheza verbal, foram interrompidas por um cachorro sendo atropelado a menos de 2 quarteirões do Formigueiro. No calor do debate logístico, uma freada, um Uno branco ziguezagueando e um cachorro ganindo e mancando roubaram nossa atenção. Enquanto o bicho desviava de outros carros enfurecidos em pleno domingo, alguns palavrões assustados escaparam da boca de quase todos no carro. “Uma situação tensa”, pensei. “Mais uma”. Atravessamos o cruzamento investigando a situação canina. “Já está tudo bem”, foi a sentença final que terminou por selar a conversa sobre o acidente.

Chegamos ao Formigueiro perto das 17h. O Krias havia chegado pontualmente às 16h. “16h07, mais precisamente”, pontuou Otto, o baterista da banda. “Pediram pra chegar às quatro, nós chegamos!”. De fato, eles já estavam na porta, tomando cerveja antes de todos, como recompensa pela pontualidade.
Entrei com as mãos no bolso, humilde e solitário explorador de bares, botequins e lugares mal iluminados. Vasculhando com o olhar, uma bandeira do estado de São Paulo perto do teto, presa a duas vigas quase ao centro, era uma das tantas decorações imponentes. Fliperamas ocupados por um grande e estranho bigodudo que se mantinha constantemente suado e gastando seu dinheiro com todos os jogos de luta ali existentes, mesas de bilhar, discos de vinil e cds colados lado a lado na parede. O banheiro unissex e sua charmosa descarga de cordinha receberam muitas visitas naquele domingo. Um formigueiro, de fato, tanto pelas cores quanto pelo pequeno simulacro de ecossistema.
Fiquei assistindo ao jogo por um tempo, mas não era hora de se deixar levar pelo futebol. Abandonei o balcão, deixando espaço para mais corinthianos em estado de atenção. Fiquei do lado de fora, conversando, tomando alguns copos de cerveja e rindo da tentativa de um cão conseguir cruzar com uma fêmea. Tudo tendia a se parecer, cada vez mais, com um dia de cão.
Corinthians 4×3 São Paulo
Não resistindo aos rojões e gritos que ecoavam na vizinhança, entrei rápido pra ver o placar. Segundo gol do Corinthians no jogo e vitória parcial de 2×0. Um corinthiano solitário assistia o jogo na TV, que fazia sombra dos jogadores por causa da interferência no sinal. Peguei a segunda garrafa de cerveja do dia -custava módicos 3 reais- e prometi a mim mesmo que não iria me arrebentar no domingo. “Não me venha com suas perguntas ébrias”, ouvi do Fukuda. Seguida duma risada, disse que as perguntas não seriam necessárias, e assim se seguiu.
Fora o futebol, a garoa constante, os cães tarados e muita conversa eram as atrações prévias aos shows do lado de fora do Formigueiro, que recebia visitas cíclicas de anônimos que o optavam à igreja Jesus Vem!, onde um pastor solitário chamava a atenção dos fiéis e transeuntes da rua Dr. Paulo de Queiroz batucando um pandeiro. De frente para o outro, um lado era infernal, o outro era mais infernal ainda. Na igreja, crentes bem vestidos munidos de bíblias. Do outro, desleixados e seus infinitos copos de cerveja, no aguardo do barulho vindouro.
O Corinthians fez o quarto gol, aos 45º do segundo tempo. Alegria, minha gente! Não é todo dia que se vence no último minuto . Os rojões pipocaram, espantando definitivamente os cães promíscuos da frente do bar e abrindo caminho para a noite, que já tinha mais público. As pessoas foram aparecendo, entrando e ocupando os cantos, as mesas de bilhar, os fliperamas e a pista.
Pouco antes dos shows começarem, metade do letreiro acima do palco apagou: Lia-se a palavra FORMIG. Pela metade também ficou a bateria, reeditando a maldição dos equipamentos -já muito conhecida. Uma força-tarefa se incumbiu de montar o instrumento às pressas, logo após o jogo.

Isso gerou o costumeiro atraso, mas dessa vez ele agiu a favor do evento. O Espasmos queria tocar antes de perder o raciocínio para o álcool, o Krias ainda estava desfalcado de seu baixista, o Monaural do baterista e o pessoal do Mão de Vaca ainda estava no caminho para São Paulo. Com tudo isso, o atraso foi celebrado, o Espasmos tomou a frente e abriu oficialmente a noite.
Domingo Legal
Um cidadão desconhecido se apresentou para agitar por toda a plateia. Dançava, pulava, cantava. O anônimo e sua jaqueta de couro roubaram a cena, ganhando agradecimentos dos integrantes da banda. Ao final da apresentação, uma conversa com ele foi inevitável.

Tinha alguma coisa de incompreensível no que dizia, até eu perceber que ele só cantava. Depois de fazer uma seresta pra Maiara, a fotógrafa da noite, cantou Roberto Carlos, Raul Seixas e se apressou em ir embora. “Preciso trabalhar amanhã cedo”, ele dizia com o olhar perdido. “São oito e meia! Ainda tem outras 3 bandas! Fica aí!”, insisti. “Não, não… Preciso trabalhar amanhã cedo, preciso ir”. E o grande agitador da noite pegou os brindes que lhe foram oferecidos, distribuiu beijos, abraços e obrigados, pegou sua bicicleta e partiu, deixando saudades e um número reduzido de malucos na plateia.
Importamos o Mão de Vaca diretamente de Itatiba, terra do Canibal Vegetariano. Foi a segunda banda a subir ao palco. Os novos integrantes da festa me lembraram os bons tempos onde o grindcore tinha muito espaço na minha vida. Foi, de longe, a banda de maior repertório de toda a noite e a mais comentada na semana seguinte. Perdi a conta do número de músicas executadas, mas era irrelevante ser metódico àquela altura.

O domingo estava gordo, recheado. “Tranquilo no mamilo?” Palavra de ordem do Krias, que abriu sua boa apresentação. Todos em seus lugares (fora do pequeno palco), a face quase estrábica do rei Roberto estampada na camiseta do Mateus parecia ter trazido ainda mais fôlego pra banda, que na quarta-feira daquela semana gravaria no Teatro Municipal de Mauá. Coisa fina, coisa fina. O aquecimento para quarta foi proveitoso.

Havia encontrado el capo Bigliazzi, do Sentimento Carpete, devidamente fardado com a camisa do time perdedor daquele domingo. “Estamos tocando dois sons do Los Saicos”, e ouvir isso foi tão emocionante que quase escorreu uma lágrima dos meus olhos. Fui reencontrar o Capo Bigliazzi, camarada de bom coração, torcedor do Racing e amigo-irmão do Krias, longe das salas da universidade e de nossas casas. São Mateus foi mágico, repito. Que domingo, minha gente.

Quando o Monaural começou a tocar, a Jesus Vem! já havia fechado suas portas. Mais liberdade para o trio, que seguiu seu costumeiro figurino. Alto, muito alto, para preencher o ouvido e voltar pra encarar a segunda-feira feliz, com o ouvido chiando. Antes disso, Ayuso, o real organizador daquela que se tornou a melhor noite do Buzina, andava pelo Formigueiro com um ar preocupado. Acabei dizendo que não acreditava que um domingo de clássico, chuvoso e num local distante pra maioria pudesse vingar, e quebrei a cara. Sorte de todos, e deixo aqui um agradecimento ao frontman do Monaural e seu rock, o mais visceral destes trópicos.

Só termina quando acaba
O saldo da noite foi positivo. Bastante positivo, diria. Na volta pra casa, uma conversa rápida com o Christian, futuro diretor (ou eu me enganei?) de um documentário que certamente será comentado nestas paragens. Despedida de fãs, amigos e perdidos. Superlotações de pequenos automóveis, instrumentos e convidados enfurnados no porta-malas, dinheiro já separado para a parada estratégica no restaurante barato, e o domingo teve seu fim decretado. Sem tristezas por semanas, seria injusto com tudo o que aconteceu ali. O Formigueiro foi mágico. E foi tão mágico que minha dor de ouvido ficou anestesiada, a dor de cabeça sumiu, ninguém se perdeu de tanto beber e o cachorro atropelado à tarde saiu com tudo no lugar pouco após do acidente. Todos nós passamos bem.
Créditos:
Fotos de Maiara Santana
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A Primeira Noite de uma Buzina
1 Comentário | Posted by Daniel in Sem categoria, intercâmbio, música, shows
Por Daniel Perez
A noite da primeira edição do Intercâmbio, a festa do Coletivo Buzina Elétrica, teve uma série de situações que pareciam querer transformar a tal Buzina Elétrica em Sanfona Valvulada. A primeira impressão não foi das melhores: Houve atraso no início da festa, as luzes do palco ficaram acesas o tempo inteiro, não havia uma moça simpática e bonita na recepção, o P.A. deu um susto em todos… O tempo e o álcool minaram a angústia inicial, e assim sendo, a festa rolou. Até porque, de qualquer maneira, iria rolar.
Talvez por isso o Intercâmbio tenha assustado algumas pessoas. Nenhum fantasma apareceu, graças à luz constantemente acesa do palco, curiosa dor de cabeça para o Monaural na apresentação do SESC Vila Mariana, poucos dias antes. “Um repeteco de desgraças e novos fantasmas” pensei pela banda, não por mim. No entanto são raros os fantasmas que gostam de se exibir fora das trevas, e na noite de sábado isso ficou ainda mais difícil graças à sinergia musical que ali foi feita.
Quatro bandas e uma plateia destemida foram os grandes protagonistas da noite de 6 de março, que teve tempo feio, público modesto, gambiarras diversas mas, principal e essencialmente, boa música.
No dia anterior, Monaural e Krias de Kafka haviam se apresentado no Central Rock Bar, em Santo André. A ressaca aparentemente faltou ao religioso compromisso do dia seguinte e em nada comprometeu as apresentações no Cidadão do Mundo, marcadas por grandes momentos etílicos e não etílicos dos grupos presentes, como o momento em que o estabelecimento nos deixou na mão quando a cerveja acabou -cedo. Quando isso aconteceu acabei me servindo de um vinho tão vagabundo que o Marcelo nem fez questão de me cobrar.
Quase às 23h, o Monaural voltou dos bares da rua, afinou seus instrumentos, perguntou da luz, recebeu numa resposta vazia algo como “a luz ta zuada, vai ficar assim” e desencanou de insistir em seguida. Foi ao som e por ali mostrou uma apresentação que há tempos eu não via. Sentia um grande chiado, uma pulsação estridente correr em meus ouvidos e em nada me incomodava, pelo contrário. O baixo volume dos microfones acabou não me atrapalhando tanto quanto imaginei, considerando que nos finalmentes eu já ouvia tudo muito bem e não continha um prazer óbvio de estar ali daquele jeito. A nova formação da banda fez uma das suas primeiras -ótimas- apresentações de 2010, e nesta fomos brindados com um gran finale digna duma banda que ostenta a bandeira grunge. Sorte a nossa.
Com os sentidos levemente alterados, assisti ao Espasmos do Braço Mecânico, a segunda banda da noite e a que eu melhor conhecia até então. Em meio aos acertos do palco, antes do início definitivo da apresentação, retomei a epopeica jornada etílica, movido por uma necessidade infantil de encobrir a timidez. A fotógrafa da noite, Bianca (improvisada naquela função, naquele dia) tentava capturar todos os momentos interessantes e eu corria de um lado para o outro procurando o que fazer, feito pulga sem cão. Pensava que ébrio eu concatenaria melhor as ideias (!!!) e comprar outra lata me parecia uma tarefa simples demais para uma noite daquelas.
Precisava de algo maior, e enquanto pensava esse monte de besteira soou o primeiro timbre da música do trio, interrompendo meus devaneios absurdos. Assisti ao show portando a câmera fotográfica, procurando alguma maneira de operar um milagre num palco sem luz frontal.
Estava na área superior entrevistando o trio do Monaural quando o Accidents, de Mogi, começou. Desci depois da primeira música, ansioso pra ouvir a banda que mais me chamou a atenção no dia. Rock limpo, coisa fina e rara de se ouvir em muitos lugares. Ainda na labuta das fotos, fiquei colado à caixa de som com o ouvido atento, agora calejado e sempre propício a maiores desgastes.
Àquela altura minha alma já passara a observar o movimento e as pessoas duma maneira onírica e em meio à música do Accidents minha viagem ganhou mais força. Obrigado! Fiquei mais animado, com espírito festeiro. No palco, o power trio se mostrou impecável (assim como todas as bandas, façamos justiça), e ressalto a notória e muito bem-vinda sinergia entre os irmãos Felipe e Juliana, que juntos com o competentíssimo Raphael estão de disco novo, o bacana Sem Ofensas (confira no myspace). Lá fora, no corredor que liga a rua Rio Grande do Sul aos confins de São Caetano, conversei com a banda em meio ao quase silêncio (o Krias estava para começar e fazia seus acertos sonoros) e aos espectros de dois estranhos cidadãos que ficaram naquele espaço conversando e bebendo, compartilhando em meio à garoa da noite de sábado uma fiel e confidente garrafa de vodka. Seguiu-se uma boa conversa com as boas pessoas de Mogi. Com o material coletado, voltei ao Cidadão para conferir a banda que fecharia a noite.
O Krias de Kafka estava de volta em um palco do ABC em menos de 24 horas. Recordar é viver: No dia anterior eles também estavam no Central com o Monaural. Abraçando a causa do Buzina, o quinteto se apresentou para quem nunca havia conferido nada dos seus trampos ao vivo, como eu, a Bianca e o Felipe, meus intrépidos companheiros daquela noite. Da garota, conquistaram seu coração e preferência, e dele, elogios respectivos ao som, que comparado ao dia anterior estava bem melhor.
Sei que o Krias, em suas reuniões perto da escada do Cidadão, foram as pessoas que mais sorriram ali, o que ajudou a ganhar a atenção da fotógrafa, que não capturou nenhum sorriso aberto demais de ninguém, e não sei dizer a razão pra isso ter acontecido. A certeza é que todos sorriram mais que o esperado na inacreditável entrevista na qual eles foram incumbidos de fornecer à massiva e inefável mídia do Coletivo, junto com o trio do Espasmos. O que precisou ser discutido para a elocução geral da sociedade foi muito bem pontuado: Vulgaridades, Franz Kafka, cena, os porquês de porquês, a vida, o mundo e tudo mais. Respostas minimalistas, kafkianas, franquezas e feridas expostas. Terminou a primeira festa do Buzina Elétrica, que não virou abóbora no seu debute.
Finda a bagunça, equipamentos recolhidos e alguns esquecidos, todos voltaram sãos e salvos de mais uma noite de boa música. A primeira de tantas, assim esperamos. O resultado será colhido a longo prazo e a expectativa é grande já a curto prazo. Foi grande também minha fome, que encontrou espaço para um rápido lanche da madrugada antes de me render a uma cama que ficou pequena porque foi compartilhada, e depois de desperto e sóbrio, diminuiu ainda mais seu tamanho, pois passei a me incomodar com alguns pés intrusos e a falta de espaço que antes não me incomodara tanto. Mas esse é um problema irrelevante. Nunca uma ressaca me caiu tão bem.
OBS:
Como bem disse o Ayuso do Monaural, as pessoas que viveram os anos 80 e 90 parcial ou completamente, que gravavam música em fitas k7 e videoclipes no videocassete, estão sentindo uma necessidade de se encontrar, de trocar ideias, de fazer girar um novo circuito musical, e isso já vem acontecendo, mesmo que timidamente.
Toda essa movimentação está alheia à má vontade (e ganância) das gravadoras e produtoras que não parecem fazer questão de colocar no mercado música honesta, feita por músicos sinceros. Estes reencontros fortuitos têm gerado estes pequenos movimentos que, juntos, direcionam suas ações para uma só vontade e crescem por si só.
Que continue o trabalho!
*Coincidência ou não, Rogério Skylab disse algo parecido numa entrevista realizada em Londrina, para a revista virtual A Rotativa. Veja aqui
Hasta!
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Créditos
Fotos por Bianca Pinto e Daniel Perez
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Pitacos rápidos sobre as bandas do dia 06
0 Comments | Posted by Buzina Elétrica in Sem categoria, casas de shows, intercâmbio, música, shows
Façamos as devidas apresentações.
Quatro bandas paulistas (duas do Grande ABC) levarão um rock decente ao Cidadão do Mundo. Elas serão as protagonistas da primeira edição da nossa festa Intercâmbio.
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Espasmos do Braço Mecânico
De São Bernardo do Campo, o Espasmos tem uma proposta bem direta: Fazer um rock honesto. E nisso eles têm êxito.
http://www.myspace.com/espasmosdobracomecanico
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Monaural
O grande representante paulistano do sempre estimado e nunca esquecido grunge.
A banda vem com nova formação para 2010.
http://www.myspace.com/monaural
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Os andreenses do Krias de Kafka levarão ao palco de São Caetano do Sul sua versatilidade musical.
http://www.myspace.com/kriasdekafka
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O power trio paulista Accidents vem embalado pelo lançamento do novo EP Sem Ofensas. Rock de qualidade, sem firulas.

http://www.myspace.com/accidentsrock
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