Archive for abril 2010
Um amigo falou dessa banda em seu blog, gostei e fui atrás de informações. Surpreendente, a parada é muito boa, e infelizmente não achei muita coisa sobre esse grupo do Benim. Até onde notei, Orchestre não faz afrobeat nem jazz africano. Funk em estado bruto, com um groove violento e exagerado, tudo num grude interessante que mesmo os menos chegados se deixam vencer. Afrofunk de respeito, minha gente. Pra ajudar, vem recheado da atmosfera do continente, o que aumenta o charme da parada toda.
Tem muita coisa boa -e muita coisa estranha também- rolando lá pela África. Com o tempo falarei mais da música obscura do continente, pois a sugestão é bem-vinda.
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Lumiere Festival em São Caetano
1 Comentário | Posted by Fukuda in indie rock, música, shows
Sábado dia 24.04.10 acontecerá o Lumiere Festival em São Caetano, no já conhecido Cidadão do Mundo. O Festival intinerante é uma das ações dos nossos amigos de Mogi das Cruzes / Pinda / Taubaté do Bequadro Mostarda que em apenas alguns meses de atividade já emplacou várias ações muito bacanas pela Região da Grande São Paulo e Interior.
O Lumiere em São Caetano vai contar com a presença de 5 Bandas + Exposição de Fotos de 3 artistas diferentes
Glassbox (São Paulo)
Alternativo/Rock
http://www.myspace.com/glassboxnoise
Jane Dope (Mogi das Cruzes)
Rock /Alternativa /Indie
http://www.myspace.com/janeddope
Narcotic Love (São Paulo)
Indie / Eletro / Rock
http://www.myspace.com/thenarcoticlove
UpBrothers (São Paulo)
Rock / Alternativa / Pop
http://www.myspace.com/upbrothers
Seamus (Taubaté/Pinda)
Rock
http://www.myspace.com/sseamus
+ exposição de fotos
Stefano Martins – http://www.flickr.com/photos/stefanomartins
Oswaldo KBÇA Corneti – http://www.flickr.com/photos/iwannabebobgruen
Carol Ribeiro – http://www.flickr.com/photos/carolribeiro
onde?
Lumiere Festival – Cidadão do Mundo
Rua Rio Grande do Sul, 73 – Centro – São Caetano do Sul – SP
24/04/10 – a partir das 20:00h – R$ 8, imperdível!

São Mateus pra vida: A festa mais legal de março.
Por Daniel Perez
O outono trouxe uma chuva inesperada no meio do caminho. Num domingo de clássico futebolístico, algumas nuvens carregadas tentaram estragar as várias festas que vinham acontecendo na cidade. Uma delas era no Formigueiro Rock Bar, onde rumamos para realizar a segunda patada sonora do Buzina Elétrica.
A instabilidade do tempo também habitava a cabeça de muitos ali. Entre a espera no inóspito ponto de ônibus na Via Anchieta pela carona que me levaria a São Mateus, zona leste paulistana, e a volta para casa, mais de 10 horas depois, cefaléia e dor de ouvido me faziam companhia desde o sábado.
Os Cães
No caminho, conversas sobre as direções a serem tomadas predominaram, e apenas um comentário a respeito do meu silêncio de propriedades curativas, replicada com a minha característica estranheza verbal, foram interrompidas por um cachorro sendo atropelado a menos de 2 quarteirões do Formigueiro. No calor do debate logístico, uma freada, um Uno branco ziguezagueando e um cachorro ganindo e mancando roubaram nossa atenção. Enquanto o bicho desviava de outros carros enfurecidos em pleno domingo, alguns palavrões assustados escaparam da boca de quase todos no carro. “Uma situação tensa”, pensei. “Mais uma”. Atravessamos o cruzamento investigando a situação canina. “Já está tudo bem”, foi a sentença final que terminou por selar a conversa sobre o acidente.

Chegamos ao Formigueiro perto das 17h. O Krias havia chegado pontualmente às 16h. “16h07, mais precisamente”, pontuou Otto, o baterista da banda. “Pediram pra chegar às quatro, nós chegamos!”. De fato, eles já estavam na porta, tomando cerveja antes de todos, como recompensa pela pontualidade.
Entrei com as mãos no bolso, humilde e solitário explorador de bares, botequins e lugares mal iluminados. Vasculhando com o olhar, uma bandeira do estado de São Paulo perto do teto, presa a duas vigas quase ao centro, era uma das tantas decorações imponentes. Fliperamas ocupados por um grande e estranho bigodudo que se mantinha constantemente suado e gastando seu dinheiro com todos os jogos de luta ali existentes, mesas de bilhar, discos de vinil e cds colados lado a lado na parede. O banheiro unissex e sua charmosa descarga de cordinha receberam muitas visitas naquele domingo. Um formigueiro, de fato, tanto pelas cores quanto pelo pequeno simulacro de ecossistema.
Fiquei assistindo ao jogo por um tempo, mas não era hora de se deixar levar pelo futebol. Abandonei o balcão, deixando espaço para mais corinthianos em estado de atenção. Fiquei do lado de fora, conversando, tomando alguns copos de cerveja e rindo da tentativa de um cão conseguir cruzar com uma fêmea. Tudo tendia a se parecer, cada vez mais, com um dia de cão.
Corinthians 4×3 São Paulo
Não resistindo aos rojões e gritos que ecoavam na vizinhança, entrei rápido pra ver o placar. Segundo gol do Corinthians no jogo e vitória parcial de 2×0. Um corinthiano solitário assistia o jogo na TV, que fazia sombra dos jogadores por causa da interferência no sinal. Peguei a segunda garrafa de cerveja do dia -custava módicos 3 reais- e prometi a mim mesmo que não iria me arrebentar no domingo. “Não me venha com suas perguntas ébrias”, ouvi do Fukuda. Seguida duma risada, disse que as perguntas não seriam necessárias, e assim se seguiu.
Fora o futebol, a garoa constante, os cães tarados e muita conversa eram as atrações prévias aos shows do lado de fora do Formigueiro, que recebia visitas cíclicas de anônimos que o optavam à igreja Jesus Vem!, onde um pastor solitário chamava a atenção dos fiéis e transeuntes da rua Dr. Paulo de Queiroz batucando um pandeiro. De frente para o outro, um lado era infernal, o outro era mais infernal ainda. Na igreja, crentes bem vestidos munidos de bíblias. Do outro, desleixados e seus infinitos copos de cerveja, no aguardo do barulho vindouro.
O Corinthians fez o quarto gol, aos 45º do segundo tempo. Alegria, minha gente! Não é todo dia que se vence no último minuto . Os rojões pipocaram, espantando definitivamente os cães promíscuos da frente do bar e abrindo caminho para a noite, que já tinha mais público. As pessoas foram aparecendo, entrando e ocupando os cantos, as mesas de bilhar, os fliperamas e a pista.
Pouco antes dos shows começarem, metade do letreiro acima do palco apagou: Lia-se a palavra FORMIG. Pela metade também ficou a bateria, reeditando a maldição dos equipamentos -já muito conhecida. Uma força-tarefa se incumbiu de montar o instrumento às pressas, logo após o jogo.

Isso gerou o costumeiro atraso, mas dessa vez ele agiu a favor do evento. O Espasmos queria tocar antes de perder o raciocínio para o álcool, o Krias ainda estava desfalcado de seu baixista, o Monaural do baterista e o pessoal do Mão de Vaca ainda estava no caminho para São Paulo. Com tudo isso, o atraso foi celebrado, o Espasmos tomou a frente e abriu oficialmente a noite.
Domingo Legal
Um cidadão desconhecido se apresentou para agitar por toda a plateia. Dançava, pulava, cantava. O anônimo e sua jaqueta de couro roubaram a cena, ganhando agradecimentos dos integrantes da banda. Ao final da apresentação, uma conversa com ele foi inevitável.

Tinha alguma coisa de incompreensível no que dizia, até eu perceber que ele só cantava. Depois de fazer uma seresta pra Maiara, a fotógrafa da noite, cantou Roberto Carlos, Raul Seixas e se apressou em ir embora. “Preciso trabalhar amanhã cedo”, ele dizia com o olhar perdido. “São oito e meia! Ainda tem outras 3 bandas! Fica aí!”, insisti. “Não, não… Preciso trabalhar amanhã cedo, preciso ir”. E o grande agitador da noite pegou os brindes que lhe foram oferecidos, distribuiu beijos, abraços e obrigados, pegou sua bicicleta e partiu, deixando saudades e um número reduzido de malucos na plateia.
Importamos o Mão de Vaca diretamente de Itatiba, terra do Canibal Vegetariano. Foi a segunda banda a subir ao palco. Os novos integrantes da festa me lembraram os bons tempos onde o grindcore tinha muito espaço na minha vida. Foi, de longe, a banda de maior repertório de toda a noite e a mais comentada na semana seguinte. Perdi a conta do número de músicas executadas, mas era irrelevante ser metódico àquela altura.

O domingo estava gordo, recheado. “Tranquilo no mamilo?” Palavra de ordem do Krias, que abriu sua boa apresentação. Todos em seus lugares (fora do pequeno palco), a face quase estrábica do rei Roberto estampada na camiseta do Mateus parecia ter trazido ainda mais fôlego pra banda, que na quarta-feira daquela semana gravaria no Teatro Municipal de Mauá. Coisa fina, coisa fina. O aquecimento para quarta foi proveitoso.

Havia encontrado el capo Bigliazzi, do Sentimento Carpete, devidamente fardado com a camisa do time perdedor daquele domingo. “Estamos tocando dois sons do Los Saicos”, e ouvir isso foi tão emocionante que quase escorreu uma lágrima dos meus olhos. Fui reencontrar o Capo Bigliazzi, camarada de bom coração, torcedor do Racing e amigo-irmão do Krias, longe das salas da universidade e de nossas casas. São Mateus foi mágico, repito. Que domingo, minha gente.

Quando o Monaural começou a tocar, a Jesus Vem! já havia fechado suas portas. Mais liberdade para o trio, que seguiu seu costumeiro figurino. Alto, muito alto, para preencher o ouvido e voltar pra encarar a segunda-feira feliz, com o ouvido chiando. Antes disso, Ayuso, o real organizador daquela que se tornou a melhor noite do Buzina, andava pelo Formigueiro com um ar preocupado. Acabei dizendo que não acreditava que um domingo de clássico, chuvoso e num local distante pra maioria pudesse vingar, e quebrei a cara. Sorte de todos, e deixo aqui um agradecimento ao frontman do Monaural e seu rock, o mais visceral destes trópicos.

Só termina quando acaba
O saldo da noite foi positivo. Bastante positivo, diria. Na volta pra casa, uma conversa rápida com o Christian, futuro diretor (ou eu me enganei?) de um documentário que certamente será comentado nestas paragens. Despedida de fãs, amigos e perdidos. Superlotações de pequenos automóveis, instrumentos e convidados enfurnados no porta-malas, dinheiro já separado para a parada estratégica no restaurante barato, e o domingo teve seu fim decretado. Sem tristezas por semanas, seria injusto com tudo o que aconteceu ali. O Formigueiro foi mágico. E foi tão mágico que minha dor de ouvido ficou anestesiada, a dor de cabeça sumiu, ninguém se perdeu de tanto beber e o cachorro atropelado à tarde saiu com tudo no lugar pouco após do acidente. Todos nós passamos bem.
Créditos:
Fotos de Maiara Santana


