Archive for março 2010
Enquanto o tira-teima da ótima noite no Formigueiro Rock Bar não sai, fiquem com o DJ Cremoso, a Maionese do Brega, e seus maravilhosos remixes.
O DJ Cremoso não chega a ser um Babau do Pandeiro, um Jota C ou mesmo um Ademir do Arari, mas mostra que tem bala na agulha.
http://soundcloud.com/djcremoso
Já já voltamos!
Ae, esse Domingo tem mais uma batalha sangrenta só que agora na Zona Leste de São Paulo, mais precisamente em São Mateus. No Formigueiro Rock Bar, com direito a sinuca, cerveja, roqueirisses e tudo mais. Vamos comparecer que a parada nesta edição é grátis.
A ilustra do Flyer é de http://sidartasoleil.deviantart.com/
INTERCÂMBIO no Formigueiro Rock Bar – 28.03.10 – 17h – GRÁTIS
Espasmos do Braço Mecânico – http://www.myspace.com/espasmosdobracomecanico
Krias de Kafka – http://www.myspace.com/kriasdekafka
Mão de Vaca (Itatiba) – http://www.myspace.com/maodevacarock
Monaural – http://www.myspace.com/monaural
Rua Dr Paulo de Queirós, 990 – São Mateus – São Paulo

Em plena era da música digital, fitas k7 retomam espaço
Por Daniel Perez
Lembro da primeira vez que recebi uma fita cassete com 7 ou 6 músicas de cada lado, todas gravadas da Antena 1 (!!!), de uma menina. Foi algo extraordinário, uma espécie de declaração de amor numa caixinha. Cheguei a ouvir a fita alguns anos depois, já que na época eu não tinha muita inclinação pra curtir as músicas daquela rádio. Porém a sacada da fitinha me fascinou e até hoje ela está comigo –a fita, não a menina.
Pois então, para a alegria de muita gente, a fita cassete ensaia um retorno bem-vindo às nossas rotinas. Talvez não tanto como peça-chave de declarações de amor, como as que muitos já viveram, mas como uma outra investida da mídia independente.
Sendo um produto de baixo custo e grande parceiro do disco de vinil, as caixinhas figuraram na linha de frente da divulgação de muitas bandas independentes e comerciais, chegando a novos ouvintes. Dada à facilidade de distribuição e preço de venda quase simbólico, houve uma proliferação das fitas. Bandas como Thee Butchers Orchestra, Grenade, Nirvana e pra citar o maior dos exemplos, na minha opinião, Racionais MCs, apareceram para o mundo. A primeira vez que ouvi Homem na Estrada foi numa fita pirata, na casa de um amigo, e a fita pirata era o único meio de se ouvir o que se tornaria o maior grupo de rap do país.
A possibilidade de gravar coletâneas era um chamativo interessantíssimo. Ao lado do VHS, as única mídias personalizáveis da época, distantes dos primos ricos MD e CD, o tape cresceu transmitindo também a personalidade de quem a gravava. Como a menina da Antena 1, um amigo que me apresentou Godspeed You! Black Emperor, e o outro dos Racionais, via-se nas compilações uma extensão da pessoa, uma maneira de entender seus sonhos e verdades.
Devaneios à parte, a finada Bizarre, na Galeria do Rock, promovia um intercâmbio de fitas cassete intenso, chegando muitas vezes a aceitar algum material qualquer de qualquer pessoa e deixar ali para ser trocado, vendido, ouvido. A tendência é que tudo isso retorne.
O retorno das fitas resgata algumas particularidades, um charme do processo de gravação e concepção do produto. Parar para ouvir a música, faixa a faixa, é uma tarefa que exige tempo e paciência que hoje muitos não têm. O trabalho do ouvinte de criar vínculos com a música anda um pouco esquecido, o tempo parece estar curto. As gravações exigem que se ouça tudo, que se regule o áudio, que se mude o lado da fita, que se escreva as faixas no encarte e por fim, batize sua nova cria (isso para os mais neuróticos). Fato é que a fitinha te cobra atenção: ou você cede ou corre pra outra mídia. A elaboração das artes, que foi recebendo mais cuidado com a profissionalização das bandas, está potencializada neste retorno. O culto à parte visual do trabalho é traduzido nos encartes maravilhosos que vêm sendo feitos e que certamente custam mais que a própria fita. A qualidade do som, antes questionada, alcançou um status cult e há quem prefira e até use o som vindo das fitas magnéticas em seus trabalhos.
No Rhizome, pode-se conferir 101 selos que vêm usando fitas para divulgar seus artistas. Agora é a hora.
Lá vem ele. Gaspar Noé, o argentino radicado na França, está de filme novo. O amiguinho de Thomas Bangalter (um dos cérebros do Daft Punk) dirigiu o novo Enter The Void. Lindo, tétrico, sombrio e indigesto, como normalmente gosta de fazer. Pra quem não sabe, Irreversível é dele, e foi este o filme que apresentou o cinema exploitation a um grande público, causando grandes e inesquecíveis sensações de incômodo e abandono das salas de cinema com a famosa cena de estupro de Monica Bellucci e um espancamento sinistro logo no início do filme.
Ao meu ver, Noé conseguiu preparar terreno pra caras mais abusados que ele, como -outro francês maluco- Alexandre Aja, de Alta Tensão, outro filme não recomendável pra se assistir com a namorada.
Enter The Void se passa em Tóquio, e pela sua sinopse, um jovem traficante é morto em Tóquio e retorna como um fantasma pra cuidar da sua irmã, que parece gostar de se atrapalhar. Por enquanto o filme só foi exibido em festivais e não há previsão de lançamento no Brasil. Só sei que será em 2010, e pelo visto há cenas em 3D. São os novos tempos.
É esperar pra ver.
Trailer de Enter The Void
Antes do esperado teremos outra edição do Intercâmbio, dessa vez o evento será feito do outro lado da fronteira. Nesta edição o line-up conta com a banda Mão de Vaca de Itatiba, interior de SP e a entrada será GRÁTIS.
INTERCÂMBIO no Formigueiro Rock Bar – 28.03.10 – 17h – GRÁTIS
Rua Dr Paulo de Queirós, 990 – São Mateus – São Paulo
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A Primeira Noite de uma Buzina
1 Comentário | Posted by Daniel in Sem categoria, intercâmbio, música, shows
Por Daniel Perez
A noite da primeira edição do Intercâmbio, a festa do Coletivo Buzina Elétrica, teve uma série de situações que pareciam querer transformar a tal Buzina Elétrica em Sanfona Valvulada. A primeira impressão não foi das melhores: Houve atraso no início da festa, as luzes do palco ficaram acesas o tempo inteiro, não havia uma moça simpática e bonita na recepção, o P.A. deu um susto em todos… O tempo e o álcool minaram a angústia inicial, e assim sendo, a festa rolou. Até porque, de qualquer maneira, iria rolar.
Talvez por isso o Intercâmbio tenha assustado algumas pessoas. Nenhum fantasma apareceu, graças à luz constantemente acesa do palco, curiosa dor de cabeça para o Monaural na apresentação do SESC Vila Mariana, poucos dias antes. “Um repeteco de desgraças e novos fantasmas” pensei pela banda, não por mim. No entanto são raros os fantasmas que gostam de se exibir fora das trevas, e na noite de sábado isso ficou ainda mais difícil graças à sinergia musical que ali foi feita.
Quatro bandas e uma plateia destemida foram os grandes protagonistas da noite de 6 de março, que teve tempo feio, público modesto, gambiarras diversas mas, principal e essencialmente, boa música.
No dia anterior, Monaural e Krias de Kafka haviam se apresentado no Central Rock Bar, em Santo André. A ressaca aparentemente faltou ao religioso compromisso do dia seguinte e em nada comprometeu as apresentações no Cidadão do Mundo, marcadas por grandes momentos etílicos e não etílicos dos grupos presentes, como o momento em que o estabelecimento nos deixou na mão quando a cerveja acabou -cedo. Quando isso aconteceu acabei me servindo de um vinho tão vagabundo que o Marcelo nem fez questão de me cobrar.
Quase às 23h, o Monaural voltou dos bares da rua, afinou seus instrumentos, perguntou da luz, recebeu numa resposta vazia algo como “a luz ta zuada, vai ficar assim” e desencanou de insistir em seguida. Foi ao som e por ali mostrou uma apresentação que há tempos eu não via. Sentia um grande chiado, uma pulsação estridente correr em meus ouvidos e em nada me incomodava, pelo contrário. O baixo volume dos microfones acabou não me atrapalhando tanto quanto imaginei, considerando que nos finalmentes eu já ouvia tudo muito bem e não continha um prazer óbvio de estar ali daquele jeito. A nova formação da banda fez uma das suas primeiras -ótimas- apresentações de 2010, e nesta fomos brindados com um gran finale digna duma banda que ostenta a bandeira grunge. Sorte a nossa.
Com os sentidos levemente alterados, assisti ao Espasmos do Braço Mecânico, a segunda banda da noite e a que eu melhor conhecia até então. Em meio aos acertos do palco, antes do início definitivo da apresentação, retomei a epopeica jornada etílica, movido por uma necessidade infantil de encobrir a timidez. A fotógrafa da noite, Bianca (improvisada naquela função, naquele dia) tentava capturar todos os momentos interessantes e eu corria de um lado para o outro procurando o que fazer, feito pulga sem cão. Pensava que ébrio eu concatenaria melhor as ideias (!!!) e comprar outra lata me parecia uma tarefa simples demais para uma noite daquelas.
Precisava de algo maior, e enquanto pensava esse monte de besteira soou o primeiro timbre da música do trio, interrompendo meus devaneios absurdos. Assisti ao show portando a câmera fotográfica, procurando alguma maneira de operar um milagre num palco sem luz frontal.
Estava na área superior entrevistando o trio do Monaural quando o Accidents, de Mogi, começou. Desci depois da primeira música, ansioso pra ouvir a banda que mais me chamou a atenção no dia. Rock limpo, coisa fina e rara de se ouvir em muitos lugares. Ainda na labuta das fotos, fiquei colado à caixa de som com o ouvido atento, agora calejado e sempre propício a maiores desgastes.
Àquela altura minha alma já passara a observar o movimento e as pessoas duma maneira onírica e em meio à música do Accidents minha viagem ganhou mais força. Obrigado! Fiquei mais animado, com espírito festeiro. No palco, o power trio se mostrou impecável (assim como todas as bandas, façamos justiça), e ressalto a notória e muito bem-vinda sinergia entre os irmãos Felipe e Juliana, que juntos com o competentíssimo Raphael estão de disco novo, o bacana Sem Ofensas (confira no myspace). Lá fora, no corredor que liga a rua Rio Grande do Sul aos confins de São Caetano, conversei com a banda em meio ao quase silêncio (o Krias estava para começar e fazia seus acertos sonoros) e aos espectros de dois estranhos cidadãos que ficaram naquele espaço conversando e bebendo, compartilhando em meio à garoa da noite de sábado uma fiel e confidente garrafa de vodka. Seguiu-se uma boa conversa com as boas pessoas de Mogi. Com o material coletado, voltei ao Cidadão para conferir a banda que fecharia a noite.
O Krias de Kafka estava de volta em um palco do ABC em menos de 24 horas. Recordar é viver: No dia anterior eles também estavam no Central com o Monaural. Abraçando a causa do Buzina, o quinteto se apresentou para quem nunca havia conferido nada dos seus trampos ao vivo, como eu, a Bianca e o Felipe, meus intrépidos companheiros daquela noite. Da garota, conquistaram seu coração e preferência, e dele, elogios respectivos ao som, que comparado ao dia anterior estava bem melhor.
Sei que o Krias, em suas reuniões perto da escada do Cidadão, foram as pessoas que mais sorriram ali, o que ajudou a ganhar a atenção da fotógrafa, que não capturou nenhum sorriso aberto demais de ninguém, e não sei dizer a razão pra isso ter acontecido. A certeza é que todos sorriram mais que o esperado na inacreditável entrevista na qual eles foram incumbidos de fornecer à massiva e inefável mídia do Coletivo, junto com o trio do Espasmos. O que precisou ser discutido para a elocução geral da sociedade foi muito bem pontuado: Vulgaridades, Franz Kafka, cena, os porquês de porquês, a vida, o mundo e tudo mais. Respostas minimalistas, kafkianas, franquezas e feridas expostas. Terminou a primeira festa do Buzina Elétrica, que não virou abóbora no seu debute.
Finda a bagunça, equipamentos recolhidos e alguns esquecidos, todos voltaram sãos e salvos de mais uma noite de boa música. A primeira de tantas, assim esperamos. O resultado será colhido a longo prazo e a expectativa é grande já a curto prazo. Foi grande também minha fome, que encontrou espaço para um rápido lanche da madrugada antes de me render a uma cama que ficou pequena porque foi compartilhada, e depois de desperto e sóbrio, diminuiu ainda mais seu tamanho, pois passei a me incomodar com alguns pés intrusos e a falta de espaço que antes não me incomodara tanto. Mas esse é um problema irrelevante. Nunca uma ressaca me caiu tão bem.
OBS:
Como bem disse o Ayuso do Monaural, as pessoas que viveram os anos 80 e 90 parcial ou completamente, que gravavam música em fitas k7 e videoclipes no videocassete, estão sentindo uma necessidade de se encontrar, de trocar ideias, de fazer girar um novo circuito musical, e isso já vem acontecendo, mesmo que timidamente.
Toda essa movimentação está alheia à má vontade (e ganância) das gravadoras e produtoras que não parecem fazer questão de colocar no mercado música honesta, feita por músicos sinceros. Estes reencontros fortuitos têm gerado estes pequenos movimentos que, juntos, direcionam suas ações para uma só vontade e crescem por si só.
Que continue o trabalho!
*Coincidência ou não, Rogério Skylab disse algo parecido numa entrevista realizada em Londrina, para a revista virtual A Rotativa. Veja aqui
Hasta!
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Créditos
Fotos por Bianca Pinto e Daniel Perez
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Pitacos rápidos sobre as bandas do dia 06
0 Comments | Posted by Buzina Elétrica in Sem categoria, casas de shows, intercâmbio, música, shows
Façamos as devidas apresentações.
Quatro bandas paulistas (duas do Grande ABC) levarão um rock decente ao Cidadão do Mundo. Elas serão as protagonistas da primeira edição da nossa festa Intercâmbio.
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Espasmos do Braço Mecânico
De São Bernardo do Campo, o Espasmos tem uma proposta bem direta: Fazer um rock honesto. E nisso eles têm êxito.
http://www.myspace.com/espasmosdobracomecanico
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Monaural
O grande representante paulistano do sempre estimado e nunca esquecido grunge.
A banda vem com nova formação para 2010.
http://www.myspace.com/monaural
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Os andreenses do Krias de Kafka levarão ao palco de São Caetano do Sul sua versatilidade musical.
http://www.myspace.com/kriasdekafka
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O power trio paulista Accidents vem embalado pelo lançamento do novo EP Sem Ofensas. Rock de qualidade, sem firulas.

http://www.myspace.com/accidentsrock
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Em março o projeto Supernova traz a banda Monaural apresentando músicas de seu último album Expurgo (capa desenhada pelo quadrinista Marcatti) mais canções inéditas com sua nova formação! O Monaural é conhecido pelo seu som garageiro com pegada noventista e também por gravar e lançar seus próprios discos pela internet mantendo-se adeptos ao “faça você mesmo”. A banda recentemente teve seu registro ao vivo intitulado “Som & Fúria”(bootleg) lançado pelo selo francês Chabane’s Records em parceria com o site Minerva Corner. O show começa pontualmente ás 20:30! Imperdível!
MONAURAL – Supernova
SESC Vila Mariana
03/03/2010, 20h30, R$12
Anfiteatro: 131 (Lugares)
R. Pelotas,141, 579 ,04012-000 São Paulo
Estacionamento: a partir de R$ 5,00
Informações: 5080-3000
http://www.sescsp.org.br
texto e imagem roubadas do fotolog dos caras…













